segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

K A L I N K A, uma dança russa


O presidente russo apresenta-se para as entrevistas de uma forma grotesca com a abertura de duas gigantescas portas douradas, em sincronia com a sua entrada em cena. 
Um espetáculo para consumo interno.  


MÚSICA E DANÇA RUSSA 


 

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

O SOL QUANDO NASCE É PARA TODOS

 


O NOVO EDEN

O AQUECIMENTNTO GLOBAL

2024 FOI O ANO MAIS QUENTE DA HISTÓRIA ULTRAPASSANDO PELA PRIMEIRA VEZ 1,5ºC ACIMA DOS NÍVEIS PRÉ INDUSTRIAIS.


 


   

terça-feira, 7 de maio de 2024

PATO REAL - uma história incrível de uma fêmea que tem apoio da sua comunidade

Pato real, uma comunidade muito interessante e comum em Soure, particularmente na foz do rio Anços

Pato real, macho e fêmea 

 levada e cascata 
Possuo uma casa de campo, um moinho de agua recuperado para habitação, que é um autentico observatório da natureza. O quintal confina com o rio Anços e uma levada atravessa a propriedade.

Janela discreta

O lugar é procurado por aves, lontras e outros animais selvagens. Um casal de pato real selvagem visitou a propriedade, gostou. Passou a frequentar regularmente o nosso quintal. Muito atentos à presença de predadores, os humanos em particular,  acabou por aceitar a nossa presença na devida distancia. 

Este ano resolveram aumentar a família e constatamos que a sua presença passou ser quase permanente. 

O casal dormia neste lugar
Passaram  a pernoitar em frente à casa mas, como dormem com a cabeça debaixo da asa receamos o pior, as lontras são uma ameaça quase silenciosa e ruido da cascata é um seu auxiliar. O pior aconteceu mesmo, encontrei o macho morto na relva debaixo de uma arvore de fruto, que era num lugar que ele visitava regularmente. Tinha morrido horas antes.
O animal acusava um ferimento profundo numa asa e no peito, feito por um predador talvez uns dias antes, sobreviveu alguns dias.
Pouco depois, a fêmea apareceu no mesmo sítio, observei isso à distancia, depois desapareceu da minha vista, julgo que levantou voo.
Retirei o animal e pensei que a história terminava ali, mas o mais interessante estava para vir...

No mesmo dia ao fim da tarde, apareceram no quintal 3 belos machos, algo inédito, isso nunca tinha sucedido, pousaram junto ao rio, depois, um deles levantou voo. Dois permaneceram ali durante largos minutos e, por fim, caminharam em direção ao lugar onde a fêmea estava invisível, escondida e provavelmente aninhada a chocar os seus queridos ovos. Depois partiram em direção a Soure.

O pato real vigilante
A sensação que que tive era que se tratava de dois inspetores e tinham tido instruções para verem o que se passava, um comportamento quase humano. Ainda no mesmo dia, ao fim da tarde, regressou um dos patos, um belo e vigoroso animal, posicionou-se em atitude vigilante e ostensiva no muro, em frente à cascata e do abrigo da fêmea que fica por baixo de uma casa em ruinas, local húmido mas coberto. 
Manteve-se no seu posto até ao por do sol depois, incrivelmente, foi para junto da fêmea e ali permaneceu até de manhã. 
Regressou ao seu posto de vigília e ao fim de cerca de uma hora levantou voo. O pescoço comprido, visível na imagem, é diferente do progenitor que era pequeno e mais comum.

Os patos percorreram lentamente este caminho  

Imagem da propriedade, ao fundo o rio Anços em cuja margem os patos e a algumas outras aves aterram. 
Os inspetores, depois de pousarem, percorreram o caminho, sem voar, até ao local onde estava escondida a fêmea viúva.
Caminharam lentamente até perto da cascata.
Não viram ou contactaram a pata viúva.
Não pode ser coincidência mas não sei explicar como foi possível a divulgação do acidente ou a transmissão da mensagem. É um verdadeiro mistério.



Decorridos três dias o pato sentinela tem regressado todos os dias ao fim da tarde e permanece junto ou próximo da fêmea. De manhã, depois de surgir a luz da madrugada levanta voo e vai à sua vida.
Despreza, sem lhe tocar, uma mistura de sementes que coloquei para auxiliar a mãe viúva. Esta sim, uma ou duas vezes por dia, depois de esticar as asas e fazer a sua higiene dentro da levada come a sua ração com evidente avidez.  
O novo companheiro, possível padrasto se houver sucesso, regressa pontualmente ao fim da tarde e passa a noite junto da fêmea ou no seu lugar de vigilância com atitude ameaçadora ou de despistagem.
De facto, se alguém se aproximar levanta voo mas regressa passados alguns minutos. Se sentir insegurança não pousa e dá mais alguma volta, mas regressa.

Hoje fui visitar o santuário do pato real em Soure e  verifiquei que havia alguma  dispersão mas mantem-se a   separação de sexos, machos em maior número descansam e procuram alimento junto à ponte e as fêmeas  também juntas nadam no rio principal, o rio Arunca.


Foz do Anços, os machos
formam o seu grupo 
Entretanto e inesperadamente, a patinha viúva regressou sozinha cerca das 19 horas, brincou na água e comeu uma boa dose de sementes que mantenho abastecida. Abalou passada cerca de meia hora.
Pata real e sua prole
Terá vindo porque mantém um vinculo sentimental, gosta do local ou apenas porque tem aqui um suplemento alimentar? 
Regressou todos os dias durante cerca de uma semana, sempre à mesma hora e repetiu as suas brincadeiras, lavagens alimentação  partiu para junto da sua família.

Não encontro explicação para o facto de aparecerem três patos machos no dia da morte do  companheiro, e um deles se manter vigilante até ao fim da incubação que seria abortada. 

Desconheço se há alguma forma misteriosa de comunicação entre estes animais, tanto mais que na comunidade machos e fêmeas vivem separados.

SERÁ UM FENÓMENO DE ENTRELAÇAMENTO QUANTICO?

Dou por encerrada a história mas, inesperadamente, surgiu no mesmo local uma garça real, espero que não haja romance.


Janelas discretas para espiar a natureza

Garça real, animal muito esquivo





sábado, 16 de janeiro de 2021

Coimbra do Choupal até à Lapa

Nas décadas de 1940/60 residi em Santa Clara - Coimbra, cresci com o Portugal dos Pequeninos tendo acompanhado a sua construção desde o inicio. Eu e os meus amigos jogávamos à bola num "campo" ali mesmo ao lado, junto ao cano dos amores da Quinta das Lágrimas e desfrutávamos dos pequenos mosaicos e outros "petiscos" que eram abandonados ou estavam ali "semeados" nas obras. Mais tarde, quando já eramos uns rapazinhos, voltamos a nossa atenção para o rio Mondego, a uns escaços 200 metros. O rio era "nosso" desde o Choupal até à Lapa.

O rio tinha muita atividade, lavadeiras, barcos, pesca e praias.
Um dos meus amigos era familiar dos donos de uma ponte de madeira sazonal, que atravessava o rio desde a estação do caminho de ferro ( a estação nova  ou B ) até à Guarda Inglesa em Santa Clara.
Poupava-se tempo e sapatos ( quem os tinha ) mas pagava-se uma portagem ao senhor Modesto, que era também dono de alguns pequenos barcos.
O Fernando era o mais velho e, às vezes arranjava um desses barcos no qual navegávamos. rio acima.

Subir o rio não era tarefa fácil pois era contra a corrente. A solução era levar barco à sirga ( puxado com uma corda parcialmente enrolada ao corpo) o Fernando era o mais forte e fazia a maior parte do percurso. Mais tarde foi atleta da Associação Académica e posteriormente oficial do exército.
Para baixo todos os Santos ajudavam e lá vínhamos nós a remar, ou nem isso, até ao embarcadouro junto à ponte de madeira.
Passávamos o dia inteiro nesta viagem e pescávamos com metodologia menos ortodoxa, tomávamos 50 banhos  jogávamos à bola. As nossas mães preparavam um pequenos farnel e beber água não era problema, havia muita no rio. 
Sendo responsáveis ( andávamos todos na catequese ) eramos muito cuidadosos. Filtrar a água era fácil, abria-se um buraco na areia e a água fluía, filtrada e fresca.
Pescar também não era complicado, os peixes eram curiosos e tinham tendência para se aventurarem em pequenos charcos que construíamos com uma entrada de água do rio. Era só esperar algum tempo escondidos e depois fechávamos a entrada/saída com um ramo de salgueiro, previamente cortado e que servia também para camuflagem.
Mas havia outros métodos, a pesca à toca era muito mais rentável, localizada a toca enfiava-se uma mão, apanhava-se um peixe e atirava-se para a margem. Convinha manter a entrada da toca controlada com a outra mão. Por vezes eram às dezenas.

Lapa dos Esteios - Santa Clara - COIMBRA
Regra de segurança, não meter a cabeça debaixo de água pois podia o braço ou mão ficar entalada e um gajo morria sufocado. Isso sucedia.
A Lapa, lugar romântico, é uma formação rochosa ou laje que entrava pelo rio. No sopé havia o paradigma das tocas mas era preciso mergulhar e manter a cabeça debaixo de água. Eu e os meus amigos nunca o fizemos por ser muito perigoso e com acidentes conhecidos.
Nesse local o rio era ótimo para mergulhar e nadar.


Também pescava à linha, aprendi a fazer a minha arte usando, a seguir ao anzol, uma crina de cavalo que era invisível na água, posteriormente passei a usar fio de nylon quando este surgiu no mercado. 

Aprendi a nadar na piscina da praia fluvial do Mondego.

Vista geral da praia fluvial e piscina





segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Metalúrgica Duarte Ferreira


 Memórias da minha vida profissional - algumas histórias

Em 1962 iniciei a minha vida profissional na Metalúrgica Duarte Ferreira na fábrica de esmaltagem do Porto, saí em 1972, com mágoa, aproveitando uma proposta demasiado aliciante.
Foi uma experiencia profissional e social muito gratificante que moldou a minha maneira de ser.
Deixo aqui um testemunho contado em histórias dessa experiencia.
A Fábrica produzia louça, peças em aço esmaltado para fogões e sua montagem, mais tarde fabricava também alguns componentes para os camiões Berliet montados na fábrica do Tramagal.  
Junto ao rio Douro na zona do Freixo as Instalações eram precárias mas a produção bem organizada e a qualidade dos produtos era boa. 




























terça-feira, 14 de abril de 2020

Futebol das "massas"



O FUTEBOL É POUCO MAIS DO QUE EMOÇÃO

Futebol é apenas diversão, os jogadores não são heróis, nada tem a ver com patriotismo. Significa apenas riqueza para alguns jogadores, equipe técnica, dirigentes e comentadores, reflexo do destaque que lhe é dado pelos média, parte muito interessada, pois significa receitas em publicidade.



Os defensores do futebol como desporto e principal meio de lazer (e de auto afirmação), contestam que o futebol seja uma alienação. Intelectuais de esquerda, mesmo os mais brilhantes, não fazem qualquer crítica ao fanatismo futebolístico. O futebol surgiu como instrumento de lazer vindo da Inglaterra. A certa altura, transformaram o que deveria ser um simples desporto, com fins exclusivamente lúdicos, na razão de ser dos povos. Torcer pela Seleção de Futebol masculino ganhou status de “dever cívico”. A publicidade, levada ao extremo, criou mitos e tornou o futebol um espetáculo milionário com grande circulação de dinheiro que deu aso ao enriquecimento e à corrupção de forma desenfreada.
A par da riqueza de alguns jogadores surge a dos dirigentes e apareceram os comentadores que infestam os média com os seus programas vazios, frequentemente em simultâneo, em vários canais. 
Os clubes são vendidos a capitalistas que se apoderam
deles como se fossem um brinquedo de luxo.
Os "sócios" são passivos contribuintes do "seu" clube.

Os milionários jogadores não são perfeitos e, frequentemente, falham o golo com a baliza escancarada. Comentam alguns entendidos que aquele não era o seu melhor pé ! Um jogador profissional, comprado por muitos milhões, tem um pé que não presta...Os jogos nem sempre registam golos ou muito poucos, 0-0 1-0 0-1 e pouco mais. Num jogo inteiro há poucas ocasiões de golo pois os jogadores milionários são cada vez mais bem vigiados por outros jogadores ainda mais milionários. É frequente haver APENAS um golo solitário, ao fim de 90 minutos. Provavelmente marcado na própria baliza por ricochete numa floresta de pernas e depois do adversário ter falhado dois remates que esbarraram "estrondosamente" no poste. 
Os adeptos usando trajes garridos, com as quotas em dia, assistem alegre e ruidosamente à chuva e frio. Um miserável e único golo duvidoso, obtido nos últimos instantes do prolongamento, depois da validação pelo VAR faz jus a uma enorme onda de reconhecimento aos seus cracks.
Os estrategas e treinadores convergiram e adotaram a tática modelo do futebol moderno:
NÃO DEIXEM JOGAR ESSES GAJOS
OS GOLOS SÃO O AMAGO E RAZÃO DE SER DO FUTEBOL, CADÊ ELES ?


a taça ? é nossa.